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4 de outubro de 2013

Vidas na Contramão


Estética de um labirinto feminino franzino
Farsas ingenuidades da menina, o sorriso...
Imprevisíveis escaladas, uma tragédia anunciada
As fornalhas daquele olhar queimaram os cílios da minha petulância
Fizeram meus lábios se afogarem na ganância
Decifrei palavras incompreendidas do alcorão
Portas abertas testemunharam minha carne na perpetua prisão
É fácil desviar-se do abismo e pensamentos
Livrar-se da tortura da alma é loucura
Quando um homem se condena em juramentos
Tomei a tua inocência por confinamento
Igualei-te aos horrores da minha transgressão
Cobrimo-nos com o véu de um gemido gelado
Descobrimos a nossa nudez no espelho da indignação
Pra você lhe parece sorte, para mim é morte...
Teus dias para mim se tornaram correntes invisíveis
Teu ventre concebeu meu rosto nos meus dias de infância
Hoje ranzinza meu coração, furtar me faz as indecências dos meus dias
A velhice toma-me por partículas imperceptíveis
As nossas indiferenças repartiram nossas vidas
Cortou-se o cordão umbilical, e o choro anuncia uma nova vida
Ergue-se o templo para uma nova adoração
O escombro fora varrido pela ação do tempo
Descansa agora no memorial de vidas que trafegaram na contramão.


Marcelo Zacarelli
São Paulo, Janeiro de 2011 no dia 20