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21 de junho de 2015

O Dia de Minha Morte


As Lágrimas obscuras de um verão
Avisarão sobre a minha morte
Quero morrer antes do amanhecer
Num dia de outono
Quando as folhas ainda descansarem
No útero sóbrio do crepúsculo

As gralhas grasnam um cântico fúnebre
Pousam no cimento frio
Onde a alma geme
Nem o frio, nem o calor
Resistirão a temperatura do meu corpo
Que agora jaz na pira interminável

Levarei comigo toda sorte
De dor e de amor...
Não chores pela cinza que restou
Talvez eu esteja presente
Em um novo amanhecer
Quando o outono findar
Carregando as suas flores

Eu apenas serei
Qualquer uma delas
Descansando nos braços
Da mãe natureza
Até que o sopro
De uma nova primavera
Traga-me em forma de poesia
Anunciando o milagre da vida.

Marcelo Zacarelli
São Paulo, 23 de Maio de 2014
(Pinheiros)