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4 de outubro de 2013

Tudo se Transforma


Como é fino o sorriso do entardecer
Linhas púrpuras e traços do empalidecido sol...
Correm as águas sobre a garganta do murmúrio
Descansam sobre as rochas geladas e pasmas;

Entorpecido o vento varrem as violetas
E desfila assovios anunciando a tormenta
Asas procuram por abrigo, nobres por ninhos
A natureza acata um tom do absurdo;

Eis que um leque de flores afugentam as dores
Amarelam as trupes dos desamores...
Esbraveja o céu com os flashes das náuseas
E vomita água na calma das mágoas;

E tudo isso aos olhos lhe parece formoso
Da penumbra do céu de atordoados clamores...
Míngua um Setembro agonizante dos amantes
E nasce um Outubro conivente de temores;

Más, eis que então a tumba traga as rosas
Um calor de verão fora do tempo
E forram os canteiros lúgubres fornalhas
Mais quente que o inferno e mais frio que o gelo;

Despeço-me então da inusitada cena
Da natureza que me pega por avesso
Hei de ignorar a própria compostura
De que tudo se transforma com o tempo.


Marcelo Zacarelli
Village, Outubro de 2012 no dia 09