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30 de agosto de 2008

O Homem e a Máquina


Morrison e Marcelo
Em preto e branco se desdenha a ferrovia
Anos dourados de notáveis imigrantes
Registraram sua passagem na história;
Nos museus de hoje em memórias...

O grito mudo preso na garganta
Espojado, aflito, expelidos...
Pelo pulmão da Maria fumaça;
Nas plataformas de piso arrogante
Bitucas mal apagadas queimam por dentro
Recolhidas uma a uma sem distinção;

A solitária máquina descansa nos trilhos
E os amantes nos bancos das praças
Subordinados a cada segundo
Determinado pelo relógio da velha paróquia;

Fio metal em meio à caricatura da nota
Ignoram o romantismo que é andar de trem;
A cada vai e vem de um humilde vagão!
Um desculpa daqui, um não foi nada de lá;
E o Brasil jogou mal? Acabo de fazer vinte e um!
Empresta-me um isqueiro pra mais um cigarro
E a beleza da paisagem que ficou para trás
Tem nada não ela volta à semana que vem;

Ao abrir a porta mais uma estação
Manoel feio, Itaim, tanto faz...
Desço em Calmon a trabalho
Semana que vem em Ferraz;

O apito irritado do trem
No teu colo fervendo, queima carvão;
Lá pelos lados de Jaboticabal
O saudoso subúrbio de rincão
Era romântico ver o por do sol
Esconder-se por de trás dos canaviais;
A lua que saltava do algodoeiro
Parecia até jogador do Santos...

Pára trem, pára trem! Pára na estação...
Eu preciso descer pra urinar
Comprar cigarro e salsicha no pão;
É tão romântico viajar de trem...

A algo em comum entre o homem e a máquina
A frieza como o ferro na partida em ardor
A tristeza da saudade que deixou seu amor
Existe uma diferença entre o ferro e a carne
A máquina grita por fora expondo os sentimentos
O homem grita por dentro sofrendo em silêncio.


Pelo autor Marcelo Henrique Zacarelli
Itaquaquecetuba, Abril de 2002 no dia 09.