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26 de agosto de 2013

A Dália do Ártico

Monique Sardinha

Entre os gêneros é que te perdestes
Franzina fêmea
Teus olhares absurdos, aguçados...
Querem que seja tu quem não és
Pois és tu quem não querem que sejas;

Entre os girassóis te perdestes
A mais linda dália do Ártico
Sobre os aguilhões do preconceito
Vararam as tuas entranhas
Teu caule subitamente amordaçado
Palavras jogadas ao vento...

Bem sei quem tu és
Areia quente do deserto
Teus olhos marejados são lamentos
Sobrevive entre a sociedade das flores
Em um covil de lobos esfomeados
Querem a tua carne vegetal saciado
Apedrejam tua nudez com perjuras
Aquele a quem espera a primavera
Prematura no ventre dos amantes;

Quando o sol descer à sepultura dos montes
E a noite cair como noiva no teu leito
Saberás que o inverno bate em sua porta
Gemidos que uivam em vãos pensamentos;

Franzina fêmea!
Onde estão as rosas que te acusastes?
Não sobreviveram ao duro golpe do tempo?
Na geleira do preconceito brilhou a luz do sol
Derramou o teu perfume feito sangue
Exalou nas narinas da sociedade
Intoxicou a consciência dos mais nobres ignorantes. 


Pelo autor Marcelo Zacarelli
Village, Abril de 2013 no dia 15