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6 de outubro de 2013

O Golpe do Lagarto


Preparas-te para a noite
Sobre o olhar da incrédula lua;
Os artificiais holofotes seguem as tuas pegadas
A gula dos répteis da tua espécie
A viúva negra vestida de noite
A sede dos amantes desavisados;
Os teus calcanhares esquivam-se das teias maliciosas
Esta noite és a presa...
As canções comovem um coração
Solidões em tragos de bebidas.

Estou à caça da solitária libélula
Encontramo-nos em meio às investidas do acaso
Inflamaram-se as glândulas multicores;
No deserto da vaidade animal
A fêmea armou-me uma emboscada;
Outros desperdiçaram suas flâmulas pecaminosas
A mariposa está farta de exacerbadas ideologias
Batem as asas e anfíbios despedem-se do acasalamento;
Mas eu te protejo com escamas abruptas indefesas
Nesta metamorfose dos meus pensamentos;
Preparas-te para uma noite de olhares desconfiados.

Predadores desequilibrados
A noite tece as mais belas vestes
E devora embriagadas meretrizes;
Preparo-te para um gole de bebida doce
A soprar em teus ouvidos o zumbido do amor
Insanas melodias repetitivas;
Enojas o teu quarto por hora
Do veneno despojado da tua presa;
Pela manha liberta-te do delírio da tua concupiscência
Ao bater as asas cintilantes
Estás pronta para o golpe do lagarto.


Marcelo Zacarelli
São Paulo, Janeiro de 2011 no dia 18